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Pacientes autistas ganham nova ferramenta para desenvolver a saúde bucal

Uma caixa educativa foi elaborada por alunas da FACIT e entregue para a Clínica Escola Mundo Autista

Crianças diagnosticadas dentro do espectro autista em Araguaína já podem contar com um novo método que pretende ajudar no desenvolvimento da saúde bucal. Isso porque estudantes do curso de Odontologia da Faculdade de Ciências do Tocantins - FACIT-TO desenvolveram uma caixa educativa com recursos lúdicos para ensinar as crianças como funciona todo o processo de higiene dos dentes.

O instrumento foi entregue para representantes da Clínica Escola Mundo Autista na tarde do último dia 24.

Foco no lúdico

A caixa desenvolvida pelas alunas Eduarda de Brito e Gilmara Ribeiro faz parte do Trabalho de Conclusão de Curso e foi criada com base no método de Análise do Comportamento Aplicada – ABA e no Sistema de Comunicação por Troca de Imagens – PECS.  As orientadoras das acadêmicas, professoras Eliana Andrade e Amanda Mortoza, destacam importância de se pensar em métodos auxiliem na saúde bucal de pessoas com necessidades específicas.

“Esta etapa foi a de apresentação do projeto, mas nós vamos dar seguimento a essa pesquisa. Outra dupla de alunos vai para a clínica Escola Mundo Autista para avaliar, na prática, quantas crianças foram atendidas com a metodologia e quantas tiveram sucesso nesse atendimento”, informa Eliana.

Para a acadêmica Gilmara Ribeiro, uma das características da metodologia é criar elementos que chamem a atenção da criança.

“Nós estamos torcendo muito para que a caixa dê bons resultados. Como a criança autista é muito sensível, nós fizemos toda a caixa de feltro, para ajudar no toque com o material, podendo mostrar o passo a passo da escovação de forma lúdica”.

Manual de apoio

A Escola Mundo Autista recebeu ainda um Manual de Saúde Bucal, baseado em um sistema de comunicação por troca de figuras. O material foi entregue pelos alunos Júlia Paulino e Luís Mille. Segundo Júlia, o manual traz formas de tratamentos mais rápidos para pacientes autistas.

“O manual é uma troca de informações por meio de figuras, que podem ajudar a combater cáries e até o condicionamento deles”, afirma a aluna.

A médica da Clínica Mundo Autista, Luciana Santana recebeu com alegria os métodos de trabalho dos acadêmicos. Ela acredita que, na prática, eles vão ser fundamentais, já que não existe trabalho em ABA ou PECS na odontologia atualmente.

“Hoje nós atendemos cerca de 400 crianças de todos os níveis de autismo e, por meio do lúdico, vamos conseguir alcançar o objetivo de prevenção, dar um melhor atendimento odontológico e fazer com que eles levem os ensinamentos para todas as etapas de sua vida. Antes isso era mais difícil”, finaliza a médica.